Neologismos à parte

O http://neologismo.com.br é um blog daqueles que não dá para deixar de visitar nem um dia.
Escrito por Matheus Rocha, traduz em seus textos a imensidão de sentimentos.

01:19 a.m.

Eu estava indo embora, cheio de vontade de ficar e derramando lágrimas feito cachoeira, mas com a cabeça erguida. Com a sensação de dever cumprido, mesmo que o desejo fosse mais comprido ainda.

Acho que uma das minhas melhores qualidades foi abrir mão das pessoas, para deixá-las serem felizes longe de mim, distantes dos meus abraços, fora da linha dos meus olhos. Mas dessa vez era difícil.

Eu queria fugir. Sumir. Eu queria um abraço, um afago, uma proteção. Alguém que, dessa vez, não fosse embora como todas as outras. Mas, não adianta relutar quando a vida te encaminha para uma nova história, onde os protagonistas de cenas importantes do passado encontram novos contos para prosseguir.

Seriam cabíveis centenas de milhares de perguntas, de desejos de respostas, mas, quem se importa com o outro quando o amor bate a porta, invade a janela e faz serenata?

Talvez nós não tenhamos sido feitos de fato para sermos sozinhos. Sabe-se lá Deus, se ele não nos criou para sermos par, para sermos bando, para não sermos singulares, e apesar de ímpares, plurais.

Confesso ter amado sempre, em doses generosas, em intensidade exageradas. Depois de ter o coração castigado e me julgar quase incapaz de amar alguém como quem ama a si mesmo, transferi meus sentimentos. Amei aos que julguei que estariam ali sempre. Só esqueci que eles também tinham histórias para escrever. Outras pessoas para amar.

Acho que um dos meus piores defeitos foi sempre o perdão. Sempre soube calar o que me doía e aceitar as pequenas migalhas de amor, afeto e fidelidade que me davam. Durante muito tempo, preferi os que me davam pouco. Preferi os que me forçavam o desejo de querer mais, ao invés de querer quem queria me dar o mundo em bandeja de ouro, recheado de amores ao amanhecer.

Nunca é tarde para dar meia volta e, se não recomeçar, fazer o mesmo caminho transformando-o em uma caminhada diferente. Nunca é tarde para reescrever histórias inserindo novos atores, novos amores, novos amigos, novas paixões. Nunca, é, tarde, e mesmo que seja, logo o dia amanhece com uma nova chance de felicidade.

Eu estava indo embora, cheio de vontade de ficar e derramando lágrimas feito cachoeira, mas com a cabeça erguida. Com a sensação de dever cumprido, mesmo que o desejo fosse mais comprido ainda. E o pior: só notariam quando já fosse tarde. Quando já tivesse passado da meia-noite e a carruagem virado a mesma abóbora de antes. Só que dessa vez, sem um ombro amigo para transformar sonhos em realidade.

Anúncios

Pode falar.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s